
Propagação da paz através do cooperativismo
Dr. Cláudio Zambello, presidente da Uniodonto e vice-presidente do Sicoob/Ouricred
Da necessidade de união, o ser humano criou a sociedade. No meio comum, na rotina, surgiram amizades, negócios e … desavenças. O concordar ou não com o outro motivou separação, desigualdades e conflitos. Neste ano de 2026, a Organização Internacional das Cooperativas (ACI) conclama o cooperativismo para mostrar o quão frágil é a paz almejada. “Cooperativas por um mundo pacífico” é o tema mundialmente disseminado em lembrança do Dia Internacional do Cooperativismo neste 4 de julho.
Fica evidente a necessidade de clamar os povos de todo o planeta visto o que presenciamos nos noticiários internacionais em conflitos distantes de nós, mas muito próximos com a conexão digital através das mídias sociais. Basta vermos o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã ou o domínio pelo Estreito de Ormuz. Ou, ainda o conflito na Ucrânia, em curso a quatro anos.
O Brasil, por mais distante que esteja de conflitos como estes, entre tantos outros que nem chegam ao nosso conhecimento, é um país em que o cooperativismo é praticado de forma pacífica, brindando pelo excesso de zelo, pelo coleguismo, pela união e, principalmente, pelo sucesso. Talvez muitas pessoas não percebam, mas em Piracicaba, mais da metade da população tem acesso a rede de cooperativas no consumo, no agro, no crédito, na saúde, entre tantos outros setores. São iniciativas que tornam mais acessíveis as melhores condições de vida. E estas mesmas cooperativas propagam seus ideais e seus benefícios para cidades vizinhas como São Pedro, Rio das Pedras, Tietê, Cerquilho, Laranjal Paulista, Santa Maria da Serra e outras.
Exemplo mais recente do fortalecimento das cooperativas veio a tona cerca de dois anos atrás em Bakhmut, leste da Ucrânia. Um belo exemplo internacional. A vinícola Artwnery era uma empresa estatal coordenada pelos socialistas da entãoUnião Soviética. No início dos anos 1990, continuou a trabalhar com mão de obra em um país que buscava sua reorganização, unindo grupos de engenheiros agrônomos, produtores de fertilizantes, colhedores e engarrafadores. Chegou a ter notas altas em feiras de degustação, igualando-se aos sabores dos vinhos franceses. Hoje, em meio ao conflito, sofre com suas produções, em especial com as garrafas de vidro, material escasso em dias atuais: o vidro tem sido alvo da indústria para serem colocados nas janelas, a fim de prever calafetação em localidades às quais a temperatura chega a muitos graus abaixo de zero. É um novo recomeço feito através da união e dos interesses da intercooperação.
Indicadores internacionais também demonstram o papel dos cooperativistas relacionado a fragilização de vínculos comunitários, através dos quais existe a necessidade da aproximação das pessoas, organizando ações conjuntas, estimulando a produção e o consumo, de forma que o círculo social gire de maneira rotineira e satisfatória.
A nível global são mais de 3 milhões de cooperativas constituídas, com um bilhão de membros adeptos. O Brasil desempenha papel importante no cooperativismo. Temos mais de 3.500 cooperativas constituídas, com cerca de 26 milhões de pessoas incluídas como cooperados, sem contar com os beneficiários que usufruem de seus produtos e serviços. Piracicaba possui registrada na Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo 13 unidades cooperativistas, além de outras que estão em regularização ou estão vinculadas outros sistemas regionais. Segundo fontes do CAGED do Ministério do Trabalho, elas, unidas, proporcionaram 2.344 novas vagas formais de trabalho nos primeiros cinco meses de 2026.
Um grande e forte abraço ao mundo cooperativista que transforma Piracicaba nesta busca pela pacificação e pela união.



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